Hoje é

       
 

 

Home page Alminhas Cemitério Colégio de São Fiel Fontes e Fontanários Igreja Matriz Capelas Santuário de Fátima

 

 

ALMINHAS

 

Portugal é o único país do mundo que possui, no seu património cultural, estes feitos. Localizadas habitualmente à beira de caminhos rurais e em encruzilhadas, tinham como função tornar sagradas as áreas perigosas, protegendo assim os viajantes de encontros malignos. Por essa razão, foi-lhes dado o nome de Alminhas.

A partir do séc. XV, aparecem estas representações populares das almas do Purgatório que suplicam rezas e esmolas aos vivos, para que estes se lembrem delas e as purifiquem ao "subirem" ao Céu.

São também frequentes em mini-capelinhas, padrões, nichos independentes ou, ainda, incrustados em muros.

 

LOCALIZAÇÃO

Louriçal do Campo demarca-se pela significativa presença destes feitos, através de seis grandes testemunhos que, na sua maioria, se encontram incrustados em largos muros de pedra granítica.

 

Um exemplar das Alminhas

Das seis Alminhas existentes, duas têm gravado no seu pedestal as datas de 1140, 1640 e 1940. Estas são as Alminhas que se encontram no lugar das “Alminhas da Torre” e num dos muros que defende uma das propriedades do antigo “Colégio de São Fiel”.

Estas datas referem-se às comemorações dos centenários, sendo que o ano 1140 corresponde à data da Batalha da Oles, travada nos terrenos da freguesia de Louriçal do Campo. D. Afonso Henriques foi coroado Rei de Portugal em 1139 e a Batalha da Oles terá ocorrido entre os anos 1140 e 1145, (não havendo unanimidade na comunidade de historiadores um consenso quanto a esta data). O ano 1640 corresponde da Restauração da Independência ou com os 500 anos comemorativos da Batalha da Oles e, por fim, o ano 1940, (como não se conhece nenhum acontecimento relevante naquele ano e na região), terá a ver com os 800 anos de comemoração dessa batalha tão importante. Numa hipótese mais remota, com os 300 anos da Restauração.

Esses cruzeiros encontram-se localizados à beira dos caminhos rurais e em encruzilhadas (cruzamentos de ruas).

Na imagem seguinte apresenta-se a localização dos cruzeiros, para um melhor entendimento do seu enquadramento na área geográfica da aldeia.

Localização dos cruzeiros em Louriçal do Campo

Dada a sua localização, rapidamente se percebe que estes cruzeiros se encontram situados nas artérias principais de acesso à povoação. É, portanto, evidente que estes feitos tinham como função tornar sagrados os cruzamentos e as áreas perigosas, protegendo os viajantes dos encontros malignos.

 

(1) Pedra granítica que foi de suporte um cruzeiro, entretanto furtado já a alguns anos. Conseguimos, entretanto obtê-lo por fotografia (1.1).

(1_1) Cruzeiro furtado do seu local.

(2) Cruzeiro localizado num dos muros de uma pripriedade privada.

(3) Cruzeiro situado junto à estrada principal de Louriçal do Campo. Num lugar junto ao ribeiro das "Senhoras".

(4) Cruzeiro incrustado nas propriedades do antigo Colégio de São Fiel. Estrada principal de acesso a Louriçal do Campo.

(4_1) Perfeita construção numa rocha granítica.

(5) Cruzeiro localizado no lugar das Alminhas da Torre.

(5_1) A perfeição da sua construção.

(6) Cruzeiro Ramos Preto

 

LENDAS

Associadas a esta temática, o tempo permitiu que muitas lendas se tornassem quase realidade, ao ponto das populações acreditarem nelas.

No que respeita à população de Louriçal do Campo, contam os mais antigos que semanalmente, por volta da meia-noite de todas as 5ªs feiras, depois do toque das Trindades, o galope de um belo e lindo cavalo branco de olhos azuis fazia-se rei das principais ruas da aldeia. Próximo dessa hora, a obrigação era a de recolher para que não fossem apanhados pelos seus maus olhares.

Outra lenda, também muito conhecida, prende-se com a lenda do cordeiro. Já à noite fusca, um certo senhor tinha acabado de fazer as suas regas, dirigindo-se a casa. Ao passar no actual lugar do Cruzeiro das Alminhas da Torre, encontrou um cordeiro perdido. Pegou nele às costas para o entregar, mais tarde, ao dono quando este aparecesse. A cada passo que dava, o cordeiro pesava cada vez mais, chegando ao ponto de não suportar mais o seu peso.

Decidiu, então, encostar-se a um muro para descansar as costas e, nesse mesmo momento, ouviu: "Põe-me devagar, que me quebras a meiga".

Assustado, claro, de ver um cordeiro a falar, pensou de imediato que seriam as almas de outro mundo.

Prometeu, assim, erguer um oráculo às Alminhas naquele local, se lhe fosse aliviado o peso e conseguisse chegar a casa.

Quando olhou para cima do muro, o cordeiro já não estava lá. O senhor seguiu o caminho de casa e, pelos vistos, acabou por erguer as Alminhas, como havia prometido.

 

Alminhas Cemitério Colégio de São Fiel Fontes e Fontanários Igreja Matriz Capelas Santuário de Fátima