Hoje é

       
 

 

Home page História Edificio Captação de água Cronologia Galeria

 

 

CAPTAÇÃO DE ÁGUA

 

A importância da água para o ser humano é indiscutível. Desde os primórdios dos tempos, que o homem reconheceu a sua dependência da água para beber, mas também para a sua utilização na manufactura de produtos, utensílios e construções.

Nas sociedades primitivas, as populações procuravam estabelecer-se em locais mais próximos de linhas de água, o que lhe proporcionava alimento e até alguma defesa natural. Assim, desde sempre que o homem teve de adoptar medidas para captar, utilizar e regularizar a água através da construção de poços, minas, albufeiras, fontes, entre outras.

Com a Revolução Industrial, o homem passou a dispor de materiais, equipamentos e técnicas que lhe permitiram construir sistemas mais eficazes para a captação, transporte, distribuição e armazenamento da água.

No caso particular da vertente sul da Serra da Gardunha, a abundância de água sempre foi uma constante. As captações e aproveitamento das águas ter-se-ão dado, em grosso modo, a partir do ano de 1873, aquando da chegada dos Jesuítas ao Colégio de São Fiel.

A necessidade de abastecimento de água, não só para o consumo humano, mas também para o regadío das terras da pertença do Colégio, levaram a cabo o carecimento de um melhor aproveitamento das águas que, por ali, desgovernadamente se perdiam.

Após um levantamento exaustivo dos lugares, que dada a sua natureza germinavam esse bem precioso que é a água, foram definidas uma série de escavações (minas e poços), situadas nos terrenos do Colégio de São Fiel. A ligação destes recursos a tubagens metálicas permitiu um armazenamento eficaz da água existente e, consequentemente, uma melhor gestão deste “bem natural”.

A Mina do Rolão, assim se designa pela sua localização geográfica, faz estrema com a Quinta do Rolão. Trata-se de uma mina de difícil acesso, com cerca de 12 metros de fundo, toda ela em granito, e possui aproximadamente 80 centímetros de largura e 1,60 metros de altura. A particularidade do emparelhamento do granito demonstra a qualidade da sua construção.

 

Actual acesso à mina

A entrada da Mina do Rolão

Captação de água da Mina do Rolão

A “Casa do Guarda Florestal”, que apesar de se encontrar em ruínas, teve como principal função ser guardiã da Serra da Gardunha, nomeadamente pela propriedade pertencente ao Colégio de São Fiel. A sua localização torna-se estratégica quanto à guarda, permitindo, assim, uma vista panorâmica e invejável.

 

Ruínas da antiga Casa do Guarda Florestal e marco que limita ao propriedade do Colégio de São Fiel

Depois de contornar a Casa do Guarda Florestal, a cerca de 100 metros na direcção da serra, no lado esquerdo, encontra-se uma outra mina. Esta mina foi a fonte de abastecimento de água para o sustento dos habitantes que outrora ali viveram.

 

Mina de água, próximo da Casa do Guarda Florestal

A mina com cerca de 12 metros de fundura, 1,80 metros de altura e quase 1 metro de largura, permite o acesso até próximo da sua nascente. Os morcegos são fauna frequente e pouco permissiva a invasores.

A manutenção geral é feita, consistindo basicamente na limpeza do caudal de água, devido ao crescimento de limos e pequenas raízes, dominantes neste tipo de meios húmidos.

Uma outra mina, denominada de Mina de Areia, deve o seu nome ao surgimento natural de areia no seu caudal da água, pelas características do terreno de pedra solta existentes nesta zona.

O acesso à mina é difícil, devido a pequenos trechos de relevo picado, composto por pedras soltas e escorregadias de pequena dimensão.

 

>

Dificuldade de acesso à Mina da Areia

Entrada da Mina da Areia

Pelas razões apresentadas, esta mina carece de maior dedicação quanto à sua limpeza e manutenção.

 

A areia existente no caudal de água e respectiva limpeza

A sua construção em granito emparelhado permite a sua sustentação. A entrada da mina tem cerca de 1 metro de altura, dificultando a passagem ao seu interior. Já dentro da mina, a altura ascende os 1,5 metros, com uma largura suficiente para manobrar.

Salienta-se, também, a existência de uma mina, de nome desconhecido, que recebe água de duas outras minas, que embora inacessíveis, sabe-se que acolhe a água através de dois reservatórios que se situam no seu interior e, posteriormente, a encaminha para a conduta principal.

 

Reservatórios interiores da mina

Existem, ainda, outras minas que não estão a ser aproveitadas, por via de algumas obras de reparação de acessos, bem como de consecutivos incêndios que devastaram a Serra da Gardunha. As tubagens foram destruídas, sem que a sua devida reparação tivesse ocorrido. Provas disso são minas que se encontram abandonadas e que só mesmo quem conhece, as poderá testemunhar.

 

>

Duas minas não aproveitadas

Até então, foram enumeradas algumas das minas, senão, as principais minas que actualmente permitem a captação de água das profundezas graníticas da Serra da Gardunha (vertente localizada a São Fiel).

Resta, agora, dar alguma ênfase ao seu encaminhamento e armazenamento, sobretudo, nos anos áureos do Colégio de São Fiel.

Após as “escavações” de água, necessárias e suficientes para o abastecimento humano, animal e de regadio, foi indispensável conceber o seu encaminhamento. Tirando benefício do relevo fácil da estrada de acesso à serra, foram escavadas valas de profundidade suficiente para a colocação de uma conduta construída em tubos de ferro. Esta conduta consistia na principal via de encaminhamento das águas captadas pelas várias minas.

 

Vestígios da tubagem de ferro

Por fim, muito próximo das imediações do Colégio de São Fiel, local conhecido por "ao fundo da serra", encontra-se um tanque, actualmente sem utilização, para o armazenamento e aproveitamento de toda a água obtida.

No sopé da serra, um verdadeiro espanto à sua chegada, encontra-se um tanque de elevada capacidade de armazenamento para água. Este depósito, datado do século XIX, é totalmente constituído por pedra dura, o granito. A sua dimensão é de 1,20 metros de altura,  15 metros de largura e 15 metros de comprimento. As paredes, bem firmes, têm uma largura superior a 60 centímetros. O seu estado de conservação é nobre, constatando-se que a sua estrutura está praticamente intacta, apesar da predominância sobre os tempos passados. Enfim, uma obra que dá vontade de recuar no tempo, para viver momentos entretanto passados.

 

 O reservatório da água captada pelas minas

Hoje sem utilidade, mas pensado que este espaço armazenou avultadas quantidades de água para garantir o abastecimento, leva à reflecção sobre a riqueza que a Serra da Gardunha trouxe em tempos de outrora.

 

Pormenor de uma das paredes do reservatório

Na zona mais baixa da serra, o Vermelhal, encontra-se uma obra de arte, construída pelos melhores pedreiros de Louriçal do Campo. A abundância da vegetação aí existente é indicadora da riqueza de água naquele local e, por isso, ali foram escavados quatro poços.

 

Vegetação em abundância

Desta vegetação, as mimosas e os sobreiros são os escudeiros desta maravilhosa obra de arte, destacando-se um alto sobreiro com mais de 40 metros de altura.

Os poços, escavados e forrados em granito, atingem, cada um deles, os seus 30 metros de profundidade e cerca de 6 metros de diâmetro. Todos eles, com excepção de um, têm uma cobertura em betão por questões de limpeza e segurança.

 

Cobertura de um dos poços em laje de betão

Os poços foram escavados por forma a aproveitar o máximo de água das nascentes e foram cortados pelas minas. Assim, entre eles existem minas que os une e que permite a circulação, em forma de cascata, da água captada pelas minas e poços mais elevados. Por sua vez, essa água é encaminhada para o poço mais abaixo e, uma vez mais, essa água do poço “1” juntamente com a também captada pelas minas do poço “2”, são encaminhadas em forma de cascata para o poço “3” e, assim, sucessivamente.

 

Esboço do processo de aproveitamento de água das nascentes

Já no poço “4”, concentra-se toda a água captada ao longo do processo, juntamente com a que das minas deste também captou, encaminhando-se a água para o reservatório. Em terras de cultivo, este reservatório alimenta uma outra mina, sendo a água encaminhada para as diversas necessidades.

 

Reservatório de água

Actualmente, essas águas estão a ser aproveitadas para a manutenção da piscina de São Fiel e regadio, quando necessário. Nos meses de inverno, a água é encaminhada para um ribeiro ali próximo.

Relativamente ao interior de dois destes poços, o seu acesso é conseguido por umas "bocas", com cerca de 5 metros de comprimento, representadas por uma "seta" (esboço anteriormente apresentado).

O barulho do bater da água no fundo do poço, em conjunto com o eco que provoca naquele espaço fechado, é algo inigualável, cujo mundo parece ser feito, unicamente, pela conjugação de três factores: escuridão, água e granito. 

 

Captação da água pelas minas que rompem a sua nascente

Acesso ao poço “2”

Numa alta parede feita de blocos de granito, encontra-se o acesso ao poço “2”. Uma passagem com cerca de 2 metros de altura e largura suficiente de passagem permite, então, percorrer aproximadamente 5 metros para chegar ao dito poço.

 

Ao fundo, o revestimento do poço

Três detalhes: Profundidade, paredes e água em cascata

Uma verdadeira maravilha da natureza que o homem se incumbiu de transformar. Cerca de 7 metros o separa do estremo da sua profundidade. São notórias as características das suas paredes. A intervenção humana, por um lado, aproveitou as partes mais resistentes e unicamente escavou, por outro, pelas partes menos firmes, limitou-se à colocação de blocos de granito, entretanto emparelhados, para assim constituir a restante estrutura necessária à fortaleza deste poço.

 

O detalhe dos blocos de granito no seu revestimento

Na parte se cima do poço, a laje de betão impõe a limpeza e segurança a estas estruturas.

 

Cobertura em betão

Finalmente, destaca-se a mina que proporciona o transporte das águas entretanto captadas pelo poço “1” (portanto, acima deste) e que para aqui são enviadas, caindo em forma de cascata.

 

Mina que proporciona o transporte de água entre os poços

Entre o poço “3” e o poço “4”, existe uma mina com uma extensão cerca de 50 metros que os une. De destacar uma clarabóia que se encontra revestida por uma placa de betão, passando, assim, despercebida, que foi concebida para proporcionar a respiração natural aos construtores aquando da sua execução.

 

Clarabóia

Por último, uma pequena referência à mina das "meias". O seu nome advém do facto de existirem dias da semana específicos, em que o encaminhamento e o aproveitamento da água eram feitos pelos seus detentores. Antigamente era, maioritariamente, destinada às propriedades  do Sr. Simão Louro. Mais tarde, os “Sequeiras” compraram a parte do Sr. Simão, ficando assim com mais um dia de água para além dos que já tinham. Actualmente, as meias são: de 2ªfeira a 4ªfeira, a água é da pertença do Colégio de São Fiel (por ser capturada nas suas terras), os restantes dias da semana, é do direito dos “Sequeiras” (Sr. David Sequeira).

 

A mina das "meias"

Caudal de água em pleno mês de Agosto de 2012

 

História Edificio Captação de água Cronologia Galeria