Hoje é

       
 

 

Home page Caracterização Invasões Francesas Galeria

 

 

CARACTERIZAÇÃO

 

Serra da Gardunha

FREGUESIAS

A Gardunha é entendida como um todo, não se circunscrevendo aos limites administrativos, pelo que abrange um total de 14 freguesias, 12 do concelho do Fundão (Alcaide, Alcongosta, Aldeia de Joanes, Aldeia Nova do Cabo, Alpedrinha, Castelo Novo, Donas, Fatela, Fundão, Soalheira, Souto da Casa, Vale de Prazeres) e 2 do concelho de Castelo Branco (Louriçal do Campo e São Vicente da Beira).

 

O NOME

As origens do nome “Gardunha” levaram a três explicações principais: Uma das explicações, alicerça-se na história e nas condições do terreno. O nome "Gardunha" advém do vocábulo composto "Guardunha" (palavra árabe, significa "refúgio"), que indica ponto de vigia em tempo de incursões e guerras para disputa de territórios.

Outra explicação avançada é que, sendo a velha Idanha devastada pelos Bárbaros,  a Gardunha foi o refúgio dos moradores. Assim, "Guarda" significa acolhimento e "odunha" ou "odonha" o mesmo que Idanha.

O último fundamento relaciona-se com a existência de um pequeno mamífero, que em espanhol é denominado "Garduña", palavra que coincide com "Gardunha". A palavra "Gardunha" surge como feminino de "gardunho" (o mesmo que fuinha ou texugo), referenciada no dicionário de Cândido de Figueiredo.

 

CLIMA

A Serra da Gardunha situa-se nos concelhos de Fundão e Castelo Branco, com uma orientação de NE-SO. Tem, aproximadamente, uma área de 10.000 hectares, e situa-se a uma altitude mínima de 450 metros e máxima de 1.227 metros.

Apresenta um clima húmido e insere-se no maciço hespérico (uma das grandes unidades estruturais da Península Ibérica), composta por um complexo de xistos grauváquicos e outro de granitos hercínios.

Localizada na Beira Baixa, nela nasce o Rio Ocreza (acima da aldeia do Casal da Serra) proporcionando condições ímpares, tendo, assim, contribuído para o seu povoamento desde os tempos da pré-história.

 

FLORA

A Gardunha tem uma cobertura vegetal diversificada de que são característicos o castanheiro, sobreiro e o pinheiro bravo e manso.

O castanheiro foi plantado por D. Dinis (1279-1325) e perdurou ao longo dos tempos, tornando-se a árvore emblemática desta zona serrana, da qual se aproveita a madeira para a carpintaria e manufactura de cestos, e o fruto/ castanha, que foi base da alimentação de muitas gerações de beirões. O seu progressivo desaparecimento resulta da acção humana, da praga de brugo e dos incêndios.

O lado Norte da Serra da Gardunha é caracterizado pela presença de castiçais (castanea sativa), carvalhais de carvalho-roble ou alvarinho (quercus robur), carvalho negral ou carvalho-pardo-das-beiras (quercus pyrenaica) e bento rainha (asphodelus), o que constitui um endemismo lusitano, exclusivo deste sistema montanhoso.

Na parte Sul ocorre uma grande variedade de matos e giestas, entre os quais urzais e urzais-estevais mediterrânicos não litorais e comunidades de montanha de caldoneira (echinospartum lusitanicum), representativo de um endemismo ibérico.

 

Castanheiro e Pinheiro bravo

Os pinheiros bravos fornecem a madeira e a resina, muito embora tenha vindo a diminuir a sua cultura.A partir da década de 70, deu-se o início da plantação da cerejeira, hoje em dia uma das maiores riquezas da Gardunha (orientação a Norte).

É na Serra da Gardunha que também se observam algumas plantas que, de acordo com as suas características, servem o ser humano na sua medicina. Assim e de acordo com este tópico, importa enumerar algumas plantas que têm servido à medicina popular.

 

Flor da sargacinha (Alimium calycinum L.)

A surgacinha, também conhecida por sargacinha ou sugamel tem uma característica muito interessante: o sabor adocicado das suas flores.

Vários residentes de São Vicente da Beira contam que, quando crianças, costumavam retirar as flores e saborear o "mel". É uma planta subarbustiva com cerca de 30 cm de altura, algo lenhosa, com caules ascendentes ou erectos e ramificados.

As folhas são sésseis, estão dispostas de modo alterno e apresentam um contorno linear ou estritamente oblongo. Possuem um indumento duplo de pêlos em ambas as páginas, embora mais abundante na parte inferior.

As flores estão reunidas em grupos de 6 a 14 cm em cimeiras folhosas terminais.

Os frutos são mericarpos de cor castanha-pálida ou cinzenta, algo alveolados. A sua floração ocorre desde o final do Inverno até meados da Primavera. Os pinhais, sebes e matos xerofílicos são o seu habitat preferido.

Na Serra da Gardunha encontra-se uma enorme proliferação desta planta, especialmente nos pinhais. É uma planta melífera, em que a sua flor é muito apreciada pelo sabor doce.

É utilizada para combater infecções, inflamações, problemas de fígado e para a icterícia. Para preparar o chá utiliza-se toda a parte aérea da planta, colocando cerca de 30 gramas da planta seca, por um litro de água.

 

Geranium robertianum (Erva de São Roberto)

Muito utilizada pelas gentes de Louriçal do Campo, esta planta surge em escombros, fendas das rochas e locais frescos e húmidos. Prolifera na Serra da Gardunha e tem larga utilização na medicina popular.

É uma planta herbácea anual, com altura de 30 a 50 cm, com folhas verdes e caules avermelhados que apresentam nós acastanhados.

As folhas são geralmente basilares, de contorno triangular, com 3 a 5 segmentos bipinatissectos com segmentos secundários ovados ou triangulares. As folhas basais possuem pecíolos compridos e as caulinares, progressivamente menores, possuem a margem menos recortada.

As flores, de cor rosa/ lilás, estão em cimeiras bifloras, suportadas por longos pedúnculos. Os frutos são monocarpos deiscentes. Floresce, essencialmente, durante a primavera e o verão. O seu nome deve-se a uma homenagem ao bispo S. Roberto que terá descoberto as suas propriedades hemostáticas.

A planta tem um sabor amargo, devido a uma substância denominada geranina. É conhecida pelas suas propriedades adstringentes, hemostátuicas e vulnerárias. Utiliza-se em casos de dores no estômago e diarreias, adicionando 30 g da parte aérea da planta previamente seca, a 1 litro de água a ferver .

A secagem é demorada e deverá ser feita à sombra. Para uso externo é utilizada na lavagem de eczemas, caspa e outros problemas de pele.

 

Geranium robertianum (Erva de São Roberto)

Nas proximidades de linhas de água, ribeiros e terras alagadas, o agrião cresce nas zonas baixas da Serra da Gardunha. Nas ribeiras de toda a freguesia de São Vicente da Beira prolifera o agrião que aqui encontra um habitat ideal.

Trata-se de uma planta herbácea perene que pode alcançar cerca de um metro. Possui caules radicantes nos nós, robustos e direitos. As folhas são alternas, divididas em segmentos mais ou menos inteiros, com margem de contorno arredondado, elíptico ou, algumas vezes, oblongo. As folhas inferiores são menos segmentadas. As flores são pequenas, reunidas em grupos e com cor branca, surgindo em racimos nas extremidades dos caules. Os frutos são silíquas encurvadas e cilíndricas. A floração começa na primavera e prolonga-se durante os meses quentes de verão.

É conhecida por ser muito rica em ferro, iodo e vitaminas A, C e E. Tem uma sabor  agradável, ligeiramente picante que se deve a uma substância conhecida como gluconasturtina. Tem um grande valor medicinal, sendo considerada como um excelente estimulante, depurativo e antiescorbútico. Os caules e as folhas são utilizados na culinária e comercializados. Saladas e sopas são os pratos mais conhecidos, mas também é muito utilizado na culinária macrobiótica em pratos muito diversificados.

Também se utiliza para fazer chá ou xarope, especialmente para a tosse. Para tal, esmaga-se a parte aérea da planta, ainda verde, não sendo costume realizar a secagem. O verde intenso das suas folhas também é utilizado para a coloração natural da pastelaria e bolos diversos uma vez que o sabor das suas folhas é agradável e combina de forma excelente com o doce.

 

Linaria triornithophora .

Nome comum: Esporas-bravas

Planta de caules erectos, com alturas entre 50 e 130 cm.

As folhas estão dispostas em verticilos de 3-5 folhas cada.

As inflorescências são frouxas, com 3 a 25 flores que se apresentam, também, em verticilos. As flores são pediceladas e possuem um cálice de segmentos ovado-lanceolados. A corola, de 35 a 55 mm, é purpúrea com palato amarelo e possui um esporão bem evidente de 16 a 25 mm.

Trata-se de uma espécie de matas caducifólias e sebes. Cresce em locais húmidos, solos profundos e com alguma sombra.

 

Asphodelus bento-rainhae

É uma espécie vegetal endémica da vertente norte da Serra da Gardunha, na zona compreendida entre o Alcaide e o Souto da Casa.

Esta espécie é protegida pela Associação de Defesa e Desenvolvimento da Serra da Gardunha, com subsídios da União Europeia para o Projecto "Life/Natureza".

O suco do tubérculo da Asphodelus bento-rainhae é utilizado no tratamento de infecções de pele. A sua raridade justifica amplamente a protecção de que é alvo, apesar de estar em risco de extinção devido às surribas da serra, para o plantio de árvores de fruto cujo o rendimento económico atrai e cobiça os pequenos agricultores (cerejeiras).

 

Festuca elegans

Planta vivaz herbácea com floração em Julho. Orófila e calcífuga, ocorre em florestas (carvalhais e soutos), bosques e matos de montanha.

Característica de Festucetum elegantis Rivas-Martínez ined., comunidade da zona elevada da serra da Estrela, em encostas declivosas, entre o mato e as rochas, de locais relativamente secos e, também, sob coberto arbóreo. Tipicamente no piso supramediterrânico. No noroeste ocorre em prados sub-rupícolas montanos (Festucion elegantis) em biótopos mais ou menos sombrios, principalmente, em orlas e clareiras de carvalhais.

 

FAUNA

Apesar da forte intervenção humana, a Gardunha é uma área com grande potencialidade para a conservação. Neste pedaço de serra beirã, encontra-se uma fauna diversificada. Animais como o gamo, corço menor, javali, ouriço, raposa, o coelho, martas, texugos e lontras são algumas das espécies existentes.

Os répteis são a cobra, lagarto (lagarto de água). Os anfíbios, a rã e o sapo. Os insectos são a abelha, moscas, formigas, escaravelhos, cigarra, grilo.

As aves que se encontram na Gardunha, habitat ideal, são as águias reais e calçadas, melro, milhafre, corvo, perdiz, gaio, gralha e a rola.

 

As espécies dominantes

 

SISTEMAS DOMINANTES

No sitio da Gardunha, surgem maioritariamente áreas de frutos, nomeadamente pomares de cerejeiras, áreas de olival e/ou de vinha, bem como áreas de forragens e pastos. As pastagens permanentes encontram-se associados à exploração pecuária  de ovinos e caprinos.

 

FACTORES DE AMEAÇA

Face aos valores naturais que integram a Serra da Gardunha, de entre os usos e actividades que conduzem à deterioração ou à destruição do coberto vegetal natural, destacam-se a actividade agrícola, nomeadamente, através da implantação de pomares (sobretudo da cerejeira), e a implantação de explorações florestais intensivas de resinosas (pinheiro bravo, etc). A estes factores de ameaça acrescem ainda, entre outros, os incêndios florestais, a expansão de espécies invasoras (por exemplo, Acácia dealbata) e a abertura ou alargamento de caminhos ou estradas.

 

A REDE NATURA 2000

A Rede Natura 2000 é uma rede de áreas designadas para conservar os habitats naturais e as espécies selvagens raras, ameaçadas ou vulneráveis. Esta rede representa o empenho dos países europeus na conservação dos seus recursos naturais. Desde o ano 2000 que é constituída por dois tipos de zonas, as ZEC (Zonas Especiais de Conservação - incluem habitats naturais e espécies de flora e fauna) e as ZPE (Zonas de Protecção Especial - incluem populações significativas de aves selvagens e respectivos habitats).

A Serra da Gardunha localiza-se na zona ocidental do Sistema Montanhoso Central Ibérico (Beira Baixa) dividindo a "Campina de Castelo Branco" da Cova da Beira. O Sítio da Rede Natura 2000 "Serra da Gardunha" tem uma área total de 5 892 ha, sendo que 19 % desta área pertence ao concelho de Castelo Branco e 81% pertence ao concelho do Fundão.

 

Caracterização Invasões Francesas Galeria