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CRONOLOGIA

 

Fonte: SIPA Foto.0673140

* Ano de 1852 - O SEMINÁRIO DE MENINOS ÓRFÃOS DO LOURIÇAL DO CAMPO. Frei Agostinho da Anunciação, natural do Louriçal do Campo, franciscano e figura próxima da Infanta Isabel, obtém autorização régia para criar na sua aldeia um seminário destinado a órfãos, instituição colocada sob a invocação de São Fiel e que conhece por primeira instalação uma casa na Rua da Capela; mediante subscrições, doações e esmolas recolhidas no distrito de Castelo Branco, Frei Agostinho obtém fontes de rendimento que permitem sustentar a sua instituição de assistência e a construção de edifício próprio, tendo-se a obra iniciado neste ano, num terreno localizado no sítio do Casal da Pelota;

* Ano de 1853, Março - Publicação da Portaria que autoriza Frei Agostinho a "governar interinamente o Seminário de São Fiel, pelos mesmos estatutos pelos quais se regulava o Seminário dos Órfãos de S. Caetano de Braga;

* Ano de 1858, Agosto - Um incêndio destruiu o edifício, cuja estrutura assentava em dois corpos, um para o sexo feminino e outro para o sexo masculino, separados pela igreja, albergando à data 80 órfãos;

* Ano de 1858 - Durante a reconstrução do Seminário, auxiliada pela Infanta Isabel (GRAINHA: 1893, p. 479), um grupo de 12 órfãos é recolhido no Colégio de Campolide (GRAINHA, 1913, 13), então designado Instituto da Caridade, instituição fundada pelo do padre Rademaker e que assinala o início do restabelecimento da comunidade jesuíta em Portugal; 1860, Setembro - já em funcionamento, e depois de ter estado sob a orientação de Francisco Grainha, Frei Agostinho entrega a educação dos órfãos do Seminário aos Padres Lazaristas e às Irmãs da Caridade: a instituição passa a admitir também pensionistas e educandos externos;

* Ano de 1862 - Expulsão destes religiosos de Portugal. O COLÉGIO DE SÃO FIEL, DA COMPANHIA DE JESUS - 1862/1863, ano lectivo de - na História do Colégio de Campolide, escrita pelos padres da Companhia, anota-se que a "missão foi aumentada com uma nova casa, o Colégio dos Órfãos de São Fiel", procedendo-se às primeiras diligências para organizar a administração do estabelecimento, cuja direcção os padres tomam em Setembro (GRAINHA, 1913, XXXIV e 39);

* Ano de 1868 - Data apontada por Ramos Preto (1911, 13) para a chegada dos Jesuítas a São Fiel: a escolha da congregação para gerir o estabelecimento ocorrera, segundo aquele autor, por indicação do Papa Pio IX, aquando da visita a Roma de Frei Agostinho da Anunciação;

* Ano de 1873, 6 de Nov. - O Seminário, que fora perdendo o seu carácter assistencial, com a admissão progressiva de educandos pensionistas, numa evolução semelhante à do Colégio de Campolide, é adquirido a Frei Agostinho de Anunciação por 2.000$000 réis. Para contornar as dificuldades impostas pela legislação anti-congreganista, em vigor desde 1834, a escritura realiza-se em nome de uns padres estrangeiros, residentes em Londres (Georges Lambert, Ignacius Cory Scoles e Henry Foley), representados pelo Padre Bernardino Pereira Monteiro (REFOIOS, 1883, 19);

* Ano de 1874 - A partir deste ano, o Colégio vai conhecer melhoramentos progressivos, de acordo com a finalidade explícita de o transformar num estabelecimento educativo para as elites, dentro do programa jesuíta de educação integral;

* Ano de 1876 - A Infanta Isabel Maria deixa, em testamento, ao Colégio de São Fiel objectos sacros no valor de 8.000$000 réis (GRAINHA: 1913, p. XXXIV);

* Ano de 1880 - A entrada e fixação progressivas de congregações religiosas em Portugal, muitas de origem estrangeira e com acção no domínio educativo, conduz o Governo liberal, por portaria do Ministério do Reino de 17 Novembro, a solicitar aos governadores civis informações sobre estabelecimentos mantidos por aquelas congregações;

* Ano de 1880, 2 de Dez. - O Governador Civil de Castelo Branco nomeia uma comissão de inquérito, composta por Joaquim Sousa de Refoios, Hermano Neves (ambos médicos) e Joaquim Robalo Guedes (funcionário do Governo Civil de Castelo Branco) para proceder a uma inspecção aos estabelecimentos do Distrito;

* Ano de 1880, 13 de Dez. - Apresentação do Relatório, especialmente incidente sobre os colégios de São Fiel e de Nossa Senhora da Conceição, na Covilhã. O Relatório, no que respeita a São Fiel, é contundente relativamente à situação de excepção vivida no estabelecimento: ensino religioso, à margem dos programas públicos; corpo docente sem habilitações creditadas no sistema de ensino nacional e radicado numa congregação estrangeira; fontes de rendimento provenientes de bens legados para fins assistenciais, acrescidos de outros resultantes da acção confessional não permitida pelo Estado fora do âmbito das igrejas paroquiais, rendimentos líquidos expressivos, com origem em congregações e irmandades sediadas no Colégio, "sem compromisso e sem orçamentos" (REFOIOS, 1883, 33). À data da inspecção o estabelecimento de ensino albergava uma comunidade composta por 138 educandos internos, além dos 5 semi-internos e dos 6 externos, por 22 pessoas responsáveis pela educação ministrada (entre corpo directivo, professores, prefeitos, capelães), e por 24 "criados" que asseguravam o funcionamento da instituição. As instalações tinham crescido: a igreja era nova, estava em construção um novo dormitório e tinha-se aberto um ramal de estrada para tornar mais fácil o acesso ao Colégio. Além dos dormitórios, considerados acanhados, é referida a existência de um pequeno laboratório de química, de uma única sala de estudo e de dois refeitórios, um para educandos e outro para padres;

* Ano de 1883 - Perante a tolerância do Governo face à situação vivida em São Fiel, Sousa Refoios publica o Relatório, expressivamente intitulado "Apontamentos sobre o jesuitismo no distrito de Castelo Branco";

* Ano de 1895 - A freguesia do Louriçal do Campo deixa de pertencer ao concelho de São Vicente da Beira, ficando integrada na de Castelo Branco;

* Ano de 1900 - Na passagem do século, o Colégio de São Fiel crescera e dotara-se de estruturas capazes de responder às exigências da educação jesuíta, onde a componente científica do ensino, associada às ciências naturais e experimentais, sobressaía, a par da investigação conduz ida por alguns religiosos que integravam o corpo docente: as obras de ampliação realizadas sobre o edifício do primitivo Seminário, permitiram obter novos espaços para instalação, nomeadamente, do Museu de História Natural, dos laboratórios de física e química, dos gabinetes de geologia, zoologia e botânica, e da biblioteca. Aqui se guardavam e desenvolviam colecções científicas que viriam a ter renome, entre as mais expressivas contando- se a de Cecídias, do Padre Silva Tavares (com espécies do Brasil, África e Europa), a de Criptogâmicas (parte recolhida nos arredores de São Fiel), do Padre Zimmerman, e a de Lepidópteros (mais de 2000 espécies da Península Ibérica e África), do Padre Cândido Mendes;

* Ano de 1901 - Recrudescimento do movimento anticlerical: o ministro Hintz e Ribeiro ordena uma inspecção ao Colégio;

* Ano de 1901, 18 Abril - Diploma que visa regularizar a situação das congregações entradas em Portugal durante a segunda metade do séc. XIX, desde que secularizadas e organizadas em associações com estatutos aprovados pelo Governo e mantendo actividade na assistência, ensino e missionação;

* Ano de 1901, Outubro - A Companhia de Jesus organiza-se na Associação Fé e Pátria;

* Ano de 1902 - No corpo do novo dormitório e das salas de aula, construído de raiz , e dispondo de torre a cerca de 21 metros, inaugura-se o observatório meteorológico, cujas observações são enviadas diariamente para o Observatório Central Dom Luís, em Lisboa; decorrente da actividade científica desenvolvida no estabelecimento, os padres Silva Tavares e Cândido Mendes fundam a "Brotéria: revista de Ciências Naturais do Colégio de São Fiel";

* Ano de 1904 - É criada a Academia Científica Maria Santíssima Imaculada;

* Ano de 1907 - A "Brotéria" passa a editar-se em três séries distintas: duas estritamente científicas, dedicadas à zoologia e à botânica, e uma outra de vulgarização, destinada ao grande público;

* Ano de 1908 - O Padre Joaquim da Silva Tavares assume a direcção do Colégio; segundo Ferrão, terá sido por esta data que as obras em curso são interrompidas (FERRÃO, 1910, 32-33);

* Ano de 1910 - Do complexo escolar de São Fiel faziam parte: o edifício do Colégio, com capacidade para cerca de 300 educandos internos, com Igreja e claustro, dormitórios, salas de aula e de estudo, teatro para realização de saraus e representações cénicas; várias construções anexas de apoio, edificadas nos terrenos a tardoz do edifício principal, como a Central Eléctrica, oficinas, armazéns, adega e dependências agropecuárias; em parcela mais afastada do Colégio (a NO.), uma lavandaria, "entre laranjeiras, pinheiros e eucaliptos", com "engomadoria, padaria e oficinas de costureiras" (FERRÃO, 1910, 33); a SO., os recreios, amplos e divididos por muros, respeitando a divisão dos educandos por classes; fora do recinto vedado do colégio, junto à estrada, para nascente, ficava o edifício do Hotel, também propriedade da Companhia, destinado a acolher as famílias dos educandos quando se deslocavam em visita a São Fiel, assim como outras casas resultantes da fixação de pessoas que prestavam serviços vários ao estabelecimento; junto à entrada do Colégio, em frente ao Hotel, em edifício mandado construir pelos jesuítas, localizava-se a estação de 2.ª classe dos Correios e Telégrafos. A extensa propriedade envolvente estava submetida a exploração agrícola e florestal;

* Ano de 1910, 5 Outubro - Implantação da República;

* Ano de 1910, 8 Outubro - O Governo Provisório decreta a extinção das ordens e das congregações religiosas, seguindo-se o arrolamento dos seus bens e a sua passagem para a guarda e posse do Estado;

* Ano de 1910, 9 Outubro - O Colégio é encerrado com recurso a forças de cavalaria, secundadas por tropas de infantaria;

* Ano de 1911 - Inicia-se o processo relativo à distribuição dos bens móveis, onde se incluem os fundos da biblioteca, as colecções científicas e o espólio dos gabinetes. ESTABELECIMENTO DE INTERNAMENTO PARA REEDUCAÇÃO DE MENORES - 1917 / 1919 - as instalações do colégio são utilizadas pelos serviços hospitalares do Exército como sanatório destinado aos militares do Corpo Expedicionário Português atingidos pela tuberculose: deste período deve datar a construção do alpendre, existente na frontaria do corpo novo do antigo Colégio, mais tarde substituído por galeria e terraço;

* Ano de 1919, Setembro - Pelo DL n.º 6 117, é criada a Escola Industrial de Reforma de São Fiel, estabelecimento para reeducação de menores delinquentes que vem integrar a rede de instituições de internamento do Ministério da Justiça, no contexto da política republicana de protecção à infância e na sequência da criação dos tribunais de menores;

* Ano de 1920 - Os edifícios do antigo Colégio de São Fiel, "com as propriedades rústicas anexas que foram arroladas como pertencentes à Companhia de Jesus" (DL n.º 7167 de 19 Nov.), são cedidas pela Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações Religiosas para instalar a Escola Industrial de Reforma de São Fiel, com capacidade para 50 menores do sexo masculino;

* Ano de 1920, 4 Setembro - Entram as primeiras crianças e jovens,

* Ano de 1925 - A instituição passa a designar-se Reformatório de São Fiel cujo o primeiro director foi o Dr. José Ramos Preto, nomeado pelo seu íntimo amigo e então Ministro da Justiça, Dr. Afonso Costa.

* Ano de 1928/1935 - As obras de conservação e de adaptação arrastam-se por vários anos e obedecem a um programa que implica alojar uma comunidade de crianças e jovens dividida em 4 grupos etários, com dependências próprias (camarata, sala de família, instalações sanitárias, refeitório, sala de aula e recreio), bem como dispor de estruturas que assegurem cuidados de saúde, educação escolar e formação profissional (oficinas); havia ainda que providenciar ao alojamento do numeroso pessoal que servia o Reformatório e proceder à exploração agrícola da propriedade; as alterações mais sensíveis ocorrem na compartimentação interior e na reutilização dos espaços, agora com outras funções; à excepção da galeria exterior, levantada na frontaria, o conjunto arquitectónico jesuíta mantém-se praticamente inalterável;

* Ano de 1939 - A lotação do estabelecimento atinge os 270 menores, acrescidos de mais 30 lugares para a Secção sanatorial do Reformatório, instalada no edifício da Tapada da Renda (v. 0502120231), junto da aldeia do Louriçal do Campo: é a maior instituição de internamento dos Serviços Jurisdicionais de Menores, dispõe de secção preparatória (menores com idades compreendidas entre os 9 e 12 anos) e de secção profissional (menores com mais de 12 anos), está preferencialmente indicado para receber educandos enviados pelos tribunais de menores do centro e sul do país e assegura ensino para as profissões de funileiro, sapataria, alfaiataria e carpintaria;

* Ano de 1950 - Os Serviços Jurisdicionais de Menores avaliam as necessidades do sistema em termos de instalações: na elaboração do plano de obras, a ser conduz ido pela Comissão das Construções Prisionais e por serviços da DGEMN, São Fiel entra no grupo de edifícios que exige um estudo prolongado; 1948/1953 - procede-se a diversas obras exigidas pela situação de carência em que vive em instituição, nomeadamente no que respeita a espaços oficinais, de alojamento de funcionários e de menores, bem como obras de conservação de fachadas e arranjos de espaços exteriores: deste período datam a construção do edifício do balneário, a ampliação das oficinas (demolições de estruturas anexas à Igreja, aumento da oficina de serralharia, edificação do pavilhão de carpintaria e arranjo exterior do largo das oficinas), a edificação das garagens no jardim e a intervenção no edifício do antigo Hotel (casas de funcionários), que é acrescido de mais um piso;

* Ano de 1953 - A Secção Preparatória é instalada na antiga secção sanatorial, entretanto desactivada (v. 0502120231); 1950, década de - arrancam as grandes obras nos estabelecimentos tutelares de menores, sujeitas a planos de conjunto e concretizadas em grandes complexos. O Reformatório de São Fiel permanecerá à margem destas transformações, pendente da decisão de encerramento ou de reconversão;

* Ano de 1962, 20 Abril - Reforma na legislação de menores e nos seus serviços, com a publicação da Organização Tutelar de Menores. Os antigos reformatórios e colónias correccionais passam a designar-se institutos de reeducação; (década de 1960), retoma-se o investimento no Instituto de Reeducação de São Fiel: nos planos de obras bienais dos Serviços Jurisdicionais de Menores inscreve-se a construção de instalações desportivas e do bairro para funcionários, cujos projectos conhecem sucessivos adiamentos;

* Ano de 1968 - Inauguração do pavilhão gimnodesportivo;

* Ano de 1976 - As obras previstas para as oficinas e bairro de funcionários encontram-se suspensas, dependentes da decisão de manter o Instituto no Louriçal do Campo ou de o transferir para os arredores da cidade de Castelo Branco;

* Ano de 1980, (década de) - O edifício principal recebe obras no corpo do antigo teatro/refeitórios (a SO) para adaptação a duas unidades residenciais;

* Ano de 1991 - O Instituto de São Fiel entra em inactividade;

* Ano de 1994, Agosto - Reabertura da instituição, com o encerramento da Escola Profissional de Santo António (antiga Colónia Correccional de Izeda - v. 0402200056): o internato, com uma lotação à volta de 30 educandos, ocupava essencialmente os corpos a SO, convivendo com áreas devolutas e obras interrompidas (corpos a NE., junto ao claustro);

* Ano de 1995 - Conclusão das obras de conservação da Igreja;

* Ano de 2001, Janeiro - Entrou em vigor a Lei Tutelar Educativa, que introduziu alterações na organização dos estabelecimentos para execução de medida judicial de internamento, agora designados centros educativos;

* Ano de 2003 - O Centro Educativo de São Fiel abandonou o edifício sito no Casal da Pelota e instalou-se na Tapada da Renda: O complexo construído e utilizado desde o séc. XIX, e que chegou a albergar uma população de cerca de trezentos educandos. Não se encontrou ocupado e apresenta sinais de degradação;

* Ano de 2005, 12 de Agosto - O Ministério da Justiça disponibilizou para uso da comunidade local, a piscina e o pavilhão gimnodesportivo, em protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Castelo Branco, ficando a cargo desta entidade a gestão e manutenção daqueles espaços.

 

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