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TORRE

 

A Torre é um lugar aprazível da freguesia de Louriçal do Campo. Situada a poente e encostada nas faldas da Serra da Gardunha, é refrescada pelo Rio Ocreza que a acompanha em toda a sua extensão geográfica.

O seu acesso é feito através da estrada municipal (EM 1224) e localiza-se a um quilómetro após Louriçal do Campo, com direcção a Casal da Serra.

 

O NOME

Existe ali, uma casa de habitação que marca a história. A sua particularidade prende-se com o facto de ser a primeira habitação com 1ºandar (entenda-se r/chão e outro).

Por se tratar de uma construção considerada de uma altura invulgar, os observadores consideravam-na como sendo uma torre. Foi a partir daí que o lugar da Torre se passou a identificar como tal.

Desta casa, só existe o balcão de acesso e as paredes da sua primeira construção. Nos meados dos anos 70, esta casa foi sujeita a obras de manutenção. No seu interior já tinha sido aplicada a construção moderna.

 

Primeira casa na Torre com 1º andar

Cantaria com gravuras artísticas

Foi no lugar da Torre que se antecedeu toda a construção arquitectónica de Louriçal do Campo, com sinais de cantarias trabalhadas e gravações artísticas no granito do seu interior, que não podem deixar de ser preservados.

Não é menos importante o descritivo no granito de um portado já transformado, testemunho de que nesta povoação se administrou a justiça, certamente em tempos muito remotos.

 

O Enigma

 

RIO OCREZA

Ocreza significa rio do ouro, metal que aqui foi explorado pelos romanos e pelos povos que os antecederam mas, também, que aqui deixaram os evidentes sinais da sua forma de vida desenhados nas lagariças e nos monumentos funerários.

 

Rio Ocreza

Ao longo do leito do Rio Ocreza encontram-se marcas de antigos trilhos, dirigidos aos moinhos, estrategicamente colocados à beira da linha de água e protegidos por represas.

Estas azenhas ou moinhos de água desempenharam um papel económico muito relevante na produção de farinha, a partir de diversos cereais, em tempos que o pão era rei na mesa. Geralmente, associado ao moinho, estava a casa de habitação onde os moleiros viviam com suas famílias.

O Ocreza foi sempre um pólo económico muito importante para a Torre. Era ele que fornecia a energia hidráulica para as azenhas, sempre de exploração e sustento familiar.

 

Uma azenha

O Ocreza forneceu água para rega de toda a área da Torre, promovendo o regadio até ao lugar dos Pardieiros.

Na Torre houve duas azenhas, pelo que às Quintas-feiras de cada semana, moíam cereais exclusivamente para o exército sediado em Castelo Branco. Nestes dias, a água a montante era exclusivamente destinada a estas azenhas, pois ninguém podia utilizá-la.

O Ocreza sempre apresentou a sua autoridade nesta localidade. Muitas famílias encontravam aqui o seu sustento. A prova é a numerosa lista de azenhas e moinhos que existiam permitindo-lhes fazer a moagem de trigo e milho.

 

Por Carlos Vaz de Deus

...”Numa graciosa baixa situada entre Louriçal do Campo e o lugar da Torre, a ribeira do Ocreza, deixada a sua natural braveza e índole serrana, mansamente flúi por entre beiradas férteis, orladas de amieiros e arbustos viçosos."

"Orlando Ribeiro in Guia de Portugal, Vol II"

 

Ao longo do seu leito, embora denominados por poços, existem várias piscinas naturais onde a mocidade aproveitava para se banhar nos períodos de maior calor.

Dos poços existentes, destaca-se o poço da abelhinha, o poço da abelha, o poço pereira, o poço do cavalinho, o poço do cavalo, o poço do amieiro, o poço do inferno e o poço azul.

 

Poço da Abelha

Poço da Abelhinha

Poço do Inferno

 

COMÉRCIO

No relato da história da Torre, confirma-se, a existência de cinco tabernas/mercearias:

- Taberna o Sr. Joaquim Breia, está localizada na Rua Velha e, actualmente, é da pertença do Sr. Joaquim Vaz;

- Taberna do Sr. Prata, com localização na Rua Velha, no rés/chão da casa mais antiga da freguesia;

- Taberna do Sr. Joaquim Serra de Deus, localizada inicialmente no rés/chão da casa do Sr. Francisco Barbeiro, no Barrocal, hoje da propriedade do Sr. Manuel Inácio. No mês de Maio de 1953, esta taberna transferiu-se para rua Dr. Augusto Beirão, porta n.º5. A sua actividade teve inicio na década de 50 e encerrou no ano de 1960.

Cartão de Identificação de Comerciante - Ano 1950

- Taberna do Sr. José Marcos. Com transferência do alvará por parte do Sr. Joaquim de Deus. Resistiu até á década de 90.

- Taberna do Sr. José Breia. Surgiu posteriormente e prevaleceu em simultâneo com a do Sr. José Marcos. Não permitindo o aglomerado da Torre mais do que um alvará, foi aberta uma excepção atendendo à deficiência motora da pessoa em causa.

 

EIRA COMUNITÁRIA

No lugar da Torre, para além das várias eiras particulares, existe ainda uma eira comunitária, designada por Laje da Torre, onde o povo, em geral, secava os seus cereais.

 

FORNO COMUNITÁRIO

Ao longo de algumas gerações, existiu um forno comunitário. Embora de exploração particular, sempre foi utilizado em proveito da povoação. A sua gestão era assegurada pelo seu proprietário, o Sr. Sequeira, residente no Lameiro de Monte.

Após a sua morte, o forno passou a ser alugado, mas mantendo a mesma forneira. Assim, os arrendatários tinham como missão o fornecimento de lenha, onde a povoação cozia o seu pão e deixava por cada cozedura, um pão para o proprietário do forno (chamada "a poia") e 1 para a forneira.

Este forno foi destruído pelo comprador do prédio, aquando da transformação deste para casa de habitação.

 

FONTANÁRIO PRINCIPAL

Mais conhecida como Fonte da Torre, teve três localizações, todavia sempre com a mesma nascente.

O abastecimento público de água, através da nascente que hoje alimenta a fonte, teve a sua localização inicial no largo que dá início à rua Dr. Augusto Beirão. A boca da mina encontrava-se a meio do muro que hoje suporta as terras daquela propriedade. A água era empresada na mina e capturada em recipientes.

Por volta do ano de 1925, esta nascente foi mudada. Sendo apanhada no touril e em alvanél, seguiu até à quina da casa que confina com o tanque que, tal como hoje, aproveitava as sobras da água. Nesse local a água era apanhada em bica, embora com pouca altura. A fonte manteve-se por cerca de 4 anos.

Em 1929, a nascente foi novamente mudada para o actual local. Na Rua do Forno, foi feita uma caixa em granito,  próximo do alinhamento do cano, onde foi colocado um tubo em ferro entre a fonte e a capela. A caixa tem duas saídas: uma saída inferior, que canaliza a água em direcção ao tubo da fonte, e uma outra que escoa as águas em excesso, conduzindo-as para o rego alvanelado de alimentação ao tanque.

Ao que se sabe, esta ultima mudança terá sido forçada pela contestação do povo, pela existência de um curral de animais próximo da fonte, que condicionaria a água para consumo. Segundo a história, o falecimento de 3 jovens raparigas na altura, estaria directamente relacionado com a localização desse curral junto à fonte. A forma encontrada para distanciar o curral da fonte, foi a doação de um terreno afastado, para a dona construir um novo abrigo para os seus animais.

 

ESCOLA PRIMÁRIA

Até ao ano de 1938, as crianças da Torre deslocavam-se a Louriçal do Campo para assistirem à escola. Nesse mesmo ano foi criada a "escola" na Torre.

Para valorizar esta nova "escola", foi colocada como professora a Sra. D. Felicidade Sequeira, natural da freguesia. O nome de escola não estaria associado a qualquer tipo de novas instalações, sendo que no primeiro ano lectivo, a dita "escola" resumia-se a uma sala de aulas de uma casa particular (família Domingos). Atendendo ao facto de que a família Sequeira era proprietária de uma casa na Torre, esta cedeu uma das salas de sua casa para leccionar o primeiro ano de aulas.

No ano seguinte (1939), tendo em conta que essa casa tinha dimensões suficientes para continuar a ser habitada ao mesmo tempo que funcionava como "escola", a mesma se estabeleceu até cerca do ano de 1970. Durante este período a Sra. D. Felicidade Sequeira terá sido substituída, como professora, pela Sra. D. Judite Guterres.

 

CAPELA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

Capela do Divino Espírito Santo - Torre

A data da sua construção é desconhecida. Sabe-se, contudo, que foi ampliada em 1925, sendo enriquecida em comprimento e em altura permitindo a construção do coro.

Para a sua ampliação, o transporte de materiais necessários foi feito através de carro de vacas, sendo a oferenda da família Sequeira. Os trabalhos de pedra foram executados pelos Srs. Joaquim Breia e Miguel Lourenço.

A imagem mais antiga da capela do Espírito Santo, orago da capela, foi  feita pelo marceneiro Manuel Nunes, natural da freguesia.

 

Imagem do Divino Espírito Santo

A nova imagem do Espírito Santo (Santíssima Trindade) foi adquirida em 1947, sendo recebida pelo presidente da paróquia em Louriçal do Campo, seguindo posteriormente em procissão para a capela da Torre.

O primeiro sino da capela foi ali colocado na parte lateral virada a norte. Com a ampliação da capela, o sino foi colocado em frente ao óculo de acesso ao coro.

Nos anos 50-60 foi construído o campanário para o novo o sino, local onde se mantém actualmente. Este campanário foi construído pelo conterrâneo, já falecido, Sr. João Cabral.

 

GALERIA

O enigma da pedra

Rua Nova e Rua do Forno

Rua da Ribeira e Rua Velha

Salão de Festas

 

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